Sem apresentar provas, Eduardo Bolsonaro acusa eleições de fraude e pede que países não reconheçam eleição no Brasil
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 26 de outubro de 2026 às 09:35 | Atualizado há 52 minutos
Eduardo Bolsonaro contestou o resultado eleitoral após a derrota do irmão, Flávio Bolsonaro, para Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução
O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) questionou a legitimidade das eleições brasileiras e pediu que a comunidade internacional não reconheça o resultado que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL). As acusações foram feitas em um vídeo publicado em inglês na madrugada desta segunda (26). Eduardo, no entanto, não apresentou provas de fraude eleitoral.
Na gravação, o ex-parlamentar argumenta que o resultado seria incomum porque Flávio terminou o primeiro turno à frente dos demais candidatos, mas perdeu a disputa na votação seguinte. Ele também sustenta que os adversários derrotados tinham posições políticas próximas às do senador, o que, em sua avaliação, tornaria o desfecho inesperado.
Eduardo cita Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que, segundo ele, apoiaram Flávio Bolsonaro, além de Augusto Curi, que teria declarado que não orientaria seus eleitores a votar em Lula. O deputado cassado argumenta que, como os candidatos derrotados não eram de esquerda e parte deles teria manifestado apoio ao senador, seria difícil explicar a vitória do atual presidente apenas pela redistribuição dos votos do primeiro turno.
Ele também questiona a quantidade de votos conquistados por Lula na etapa final. Na avaliação de Eduardo, o presidente teria obtido praticamente todos os votos que estavam em disputa, além de ampliar sua própria votação, resultado que considera improvável.
Abstenções e votos inválidos entram na discussão
Lula venceu a eleição com uma diferença de 4,4 milhões de votos em relação a Flávio Bolsonaro. A comparação entre os dois turnos, porém, também envolve mudanças na participação dos eleitores e na quantidade de votos brancos e nulos.
No primeiro turno, cerca de 33 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas. No segundo, o número caiu para aproximadamente 30 milhões. Os votos brancos e nulos também diminuíram, passando de 5,9 milhões para 4,1 milhões.
Essas mudanças ajudam a explicar por que a votação dos candidatos não depende apenas da transferência de votos de quem foi eliminado no primeiro turno. Eleitores que não compareceram anteriormente podem participar da etapa final, enquanto outros podem mudar de escolha ou deixar de votar. Eduardo, contudo, não apresentou elementos que comprovassem irregularidades na contagem dos votos.
Outro ponto levantado por ele foi a prorrogação do horário de votação em duas horas, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. A medida foi adotada durante o andamento do pleito após solicitações das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
Eduardo questiona a legalidade da decisão e argumenta que a medida foi inédita na história brasileira. Ele também contesta a competência de Zanin para determinar a mudança, uma vez que o ministro não integra a Justiça Eleitoral.
Flávio anuncia pedido de anulação do resultado
Após a divulgação do resultado, Flávio Bolsonaro declarou que pretende pedir a anulação da eleição. O senador também atribuiu a vitória de Lula à prorrogação do horário de votação determinada por Zanin.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por sua vez, afirmou que a decisão judicial não provocou alterações na apuração do segundo turno. No vídeo, Eduardo não apresentou provas que sustentassem a alegação de fraude eleitoral.
O deputado cassado também recorreu às pesquisas eleitorais para questionar o resultado. Segundo ele, a maioria dos levantamentos indicava a vitória de Flávio. Os institutos, no entanto, também apresentaram divergências em relação ao resultado do primeiro turno, quando as projeções apontavam Lula na liderança.
Ao divulgar o vídeo em inglês, Eduardo direcionou suas críticas ao público internacional e pediu que governos e representantes de outros países não reconheçam o resultado das eleições brasileiras.
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