Moraes diz que mensagens atribuídas a ele no celular de Vorcaro são “diálogos fantasiosos”
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 09:10 | Atualizado há 2 horas
Moraes negou qualquer troca de mensagens com o ex-dono do Banco Master | Foto: Reprodução
Alexandre de Moraes afirmou que não reconhece como suas as mensagens que a Polícia Federal (PF) associou a uma suposta comunicação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Em manifestação apresentada na última segunda-feira (14) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o ministro negou ter mantido os diálogos apontados pela investigação e classificou o conteúdo como uma construção sem correspondência com a realidade.
A discussão envolve dados encontrados no celular de Vorcaro durante a investigação. A partir do material, a PF identificou uma série de mensagens enviadas pelo banqueiro e atribuiu a Moraes a posição de destinatário. O relatório registra 187 interações, além de menções a encontros e solicitações que teriam sido feitas por Vorcaro.
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Para Moraes, contudo, o material apresentado não comprova que ele tenha participado dessas conversas. O ministro ressaltou que não aparece no conjunto divulgado nenhuma mensagem escrita por ele em resposta às manifestações de Vorcaro.
A ausência de mensagens do suposto interlocutor é justamente um dos principais pontos levantados pelo magistrado. Conforme a manifestação, os registros permitem visualizar mensagens atribuídas a Vorcaro, mas não identificam de maneira direta o destinatário nem apresentam respostas que possam confirmar a participação de Moraes.
O ministro também rejeitou qualquer relação com eventual consultoria jurídica prestada ao banqueiro ou com possíveis atos de favorecimento. Segundo ele, tampouco existe elemento que demonstre que tenha recebido informações antecipadas sobre alguma ação policial relacionada ao caso.
Moraes afirmou ainda que a investigação não teria apresentado uma forma suficiente de comprovar que ele era, de fato, a pessoa que recebia as mensagens. Para o ministro, não basta interpretar o conteúdo dos registros para estabelecer a identidade do interlocutor sem que existam elementos capazes de confirmar essa conclusão.
Ministro questiona acesso aos dados do celular
Outro ponto contestado por Moraes é a maneira como o conteúdo extraído do aparelho de Vorcaro foi utilizado na investigação. O relatório foi produzido a pedido de André Mendonça, também ministro do STF, que teve acesso antecipado ao material bruto obtido a partir do telefone do banqueiro.
Na avaliação de Moraes, isso dificulta a conferência independente dos trechos posteriormente selecionados e apresentados no processo. Ele sustenta que, sem a possibilidade de examinar integralmente a extração original, fica prejudicada a verificação da autenticidade, do contexto e da sequência das mensagens.
A crítica é dirigida especialmente aos fragmentos utilizados para sustentar a hipótese de que os diálogos envolveriam o ministro. Moraes afirma que não há como confirmar a origem e a integridade dessas informações da maneira como foram apresentadas.
O magistrado também classificou como falsa a afirmação de que teria conversado com Vorcaro por mensagens sobre a “Operação Compliance”. Para ele, a divulgação do conteúdo como uma conversa entre os dois criou a aparência de um diálogo que, segundo sua versão, jamais aconteceu.
Vorcaro não confirmou que Moraes recebeu as mensagens
A identificação do destinatário também não foi confirmada pelo próprio Daniel Vorcaro durante seu depoimento. Em interrogatório realizado em 28 de agosto, o banqueiro foi questionado sobre uma das mensagens que a PF atribuiu a uma conversa com Moraes, mas disse não se lembrar de quem a havia recebido.
O depoimento foi disponibilizado ao público depois que André Mendonça retirou o sigilo da investigação.
A mensagem em questão tratava das apurações do Banco Central sobre o Banco Master. No texto, Vorcaro dizia ter recebido informações de maneira informal e confidencial de pessoas ligadas ao Banco Central. Ele mencionava que “G e os diretores” estariam novamente sob forte pressão para adotar uma medida.
Na sequência, o banqueiro afirmava que seria necessário conversar com “Andrei e Paulo” para impedir que alguém em uma posição inferior tomasse uma decisão que pudesse prejudicar os interesses envolvidos na negociação do banco.
A PF interpretou que o destinatário da mensagem seria Alexandre de Moraes. Na leitura feita pelos investigadores, a letra “G” seria uma referência a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. “Andrei” corresponderia a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, enquanto “Paulo” seria Paulo Gonet, procurador-geral da República.
Vorcaro, entretanto, não confirmou essa identificação. Ao explicar a situação aos investigadores, disse que conversava com muitas pessoas sobre a transação envolvendo o Banco Master e que, sem a identificação do contato, não conseguia determinar com quem havia tratado naquele momento.
STF decide nesta terça-feira (15) sobre possível investigação
A manifestação de Moraes ocorre um dia antes da sessão do plenário do STF que deverá avaliar se o ministro será investigado no caso. A análise está prevista para esta terça-feira (15), a partir das 10h.
Antes da discussão do processo, os ministros deverão cumprir os procedimentos previstos para o início da sessão, com leitura e aprovação da ata anterior e a saudação de praxe. Depois disso, será feito o pregão do processo.