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Simpósio Goiano de Câncer de Mama: Evento discute o aparecimento da doença em mulheres com menos de 40 anos

Simpósio Goiano de Câncer de Mama, realizado pela (SBM-GO) ocorre no próximo sábado, 6, e busca conscientizar equipes médicas e multiprofissional sobre orientação ideal para essa faixa etária

diario da manha
Comissão organizadora do Simpósio. Leandro Oliveira, oncologista clínico e, Frank Braga, mastologista.

A Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Goiás (SBM-GO) realiza o Simpósio Goiano de Câncer de Mama – Câncer de Mama em Jovens. O evento será realizado no próximo sábado, 6, a partir das 8 horas, no Castro’s Park Hotel. De forma presencial, o encontro científico tem o objetivo de conscientizar médicos e profissionais que atuam nessa linha de tratamento sobre a importância de assistir essa parcela da população.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o câncer de mama é a neoplasia maligna mais prevalente no mundo em mulheres entre 40 a 59 anos. Abaixo dessa idade, no entanto, o câncer de mama representa menos de 10% dos casos, mas esse número vem crescendo, segundo observado pelo Instituto de Oncologia. A instituição ressalta que o percentual de mulheres jovens acometidas pelo câncer de mama gira em torno de 5%, estatística que, historicamente, ficava na casa dos 2%.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa australiana revelou que aproximadamente 1000 mulheres com menos de 40 anos são diagnosticadas com tumor maligno nas mamas a cada ano. Dessas, quase 80 morrem em decorrência da doença. Isso significa que a confirmação do câncer de mama é revelada para três mulheres jovens todos os dias e uma delas morre a cada semana, em um país que tem apenas 25 milhões de habitantes.

Importância do diagnostico

Isso porque, de acordo com a SBM, mulheres a partir de 40 anos devem fazer mamografia de forma anual, a fim de diagnosticar eventuais casos de câncer de mama em estágios iniciais e, assim, possibilitar tratamentos menos invasivos e mais conservadores. Se considerarmos a recomendação do Ministério da Saúde, esse acompanhamento, na rede pública, será feito a partir dos 50 anos de idade. Apesar de abranger a maior população suscetível a desenvolver câncer de mama, mulheres que tenham 40 anos ou menos também estão sujeitas ao diagnóstico, mas não são acompanhadas anualmente.

O presidente da SBM-GO, Frank Braga, observa que “apesar de menos incidente, o câncer de mama em mulheres jovens tende a ser mais agressivo, seja por uma maior proporção de tumores triplo negativos e HER-2 positivos, seja pelo diagnóstico mais tardio pela ausência de exames preventivos regulares das mamas. Assim é extremamente importante conversar sobre câncer de mama em jovens, a fim de discutir alternativas para melhorar as chances de diagnóstico precoce e de controle dessa doença.”

Ainda segundo ele, a vida moderna contribui para o aumento da incidência de casos da doença em mulheres jovens. “A vida moderna, faz com que as mulheres engravidem mais tarde, tenham menos filhos e menos tempo para amamentação. Todos esses são fatores que protegem a mama contra o câncer”, complementa.

Leandro Oliveira, oncologista clínico, reforça a importância de promover debates para atender ao público com menos de 40 anos.

“O câncer de mama é uma doença multifatorial. Seu aparecimento não depende exclusivamente de um ponto, assim como o tratamento não interfere em apenas um campo da vida. As mulheres jovens lidam com consequências físicas, biológicas e laborais, pois convivem por mais tempo com cicatrizes, entram na menopausa precocemente e sofrem com impactos negativos no desenvolvimento profissional, devido ao longo período de afastamento”, pontua.

Ainda de acordo com ele, o câncer em mulheres mais jovens se comporta de maneira diferente, em relação ao que acomete mulheres com mais de 40 anos. “Do ponto de vista biológico, o câncer de mama na jovem, de forma geral, tendem a ser tumores mais agressivos, normalmente, ele é diagnosticado em uma fase mais tardia. Já em relação ao tratamento, o câncer de mama em mulheres mais jovens também difere da mulher acima dos 40 anos. A gente precisa avaliar questões relacionadas a fertilidade, existe uma maior chance da paciente ser portadora de uma síndrome de predisposição genética e, muitas vezes, é preciso induzir a menopausa nessa paciente.”

Diante de condições tão desafiadoras, se faz necessária a discussão desse assunto com profissionais da área, a fim de que o estudo e produção de novos tratamentos sejam estimulados. Assim, o Simpósio Goiano de Câncer de Mama – Câncer de Mama em Jovens vem para ser um marco na medicina local por tratar de um assunto relevante, mas pouco debatido. Diagnóstico precoce salva vidas e informação eficaz e coerente contribui para isso.

Braga ressalta a importância do evento. “É uma área que precisa ser discutida, comentada e estimulada, para que a gente possa entender um pouco mais sobre a biologia molecular desses tumores e, tentar fazer com que essas mulheres tenham um tratamento mais efetivo.”

Nadhya Louredo, nutricionista, foi diagnosticada com câncer de mama aos 32 anos.

“Na época, eu tinha acabado de completar 32 anos e, foi bem assustador pela pouca idade. Por não ter histórico de câncer na família, ter hábitos alimentares bons e por ter amamentado minha filha por mais de 2 anos.”

Segundo ela, o tratamento durou cerca de 1 ano. “É um tratamento bem sofrido, tive alguns efeitos colaterais, perdi os cabelos, perdi muito peso, mas passou! Hoje estou em remissão, faço acompanhamento com oncologista e mastologista de 3 em 3 meses”, relata.

Louredo fala sobre a importância de ir a um profissional adequado. “Não deixem de ir ao ginecologista ou mastologista se sentir alguma alteração nas mamas. Procure assistência, não pense que por ser jovem, o câncer não aparece. Fique atenta! Se cuide!”

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